sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Segunda Escolha

Até 6 de Fevereiro a Kgaleria, em Lisboa, apresenta-nos Segunda Escolha, de António Pedro Ferreira. É uma exposição importante para a História da Fotografia em Portugal, não apenas porque se trata de um excelente fotógrafo, mas porque as suas imagens representam, como o press-release refere e bem, o início de uma nova atitude no fotojornalismo português. Para trás ficava um fotojornalismo insípido, de imagens banais, que poucas e honrosas excepções contrariaram. O início dos anos 80 acentua o movimento com origem no período pós-1974, de procura de temáticas diferentes e militantes. A fotografia penetrou em espaços e temas até aí proíbidos, porque possuiam uma carga de opinião política, desconhecidos, porque a novidade de virem a Portugal exposições com temáticas e abordagens estéticas diferentes estava a dar os primeiros passos com os Encontros de Fotografia, em Coimbra, ou a Galeria Ether, em Lisboa. António Pedro Ferreira, o médico desiludido com o país, que se transforma em fotógrafo numa Paris de sonho e num laboratório improvisado, é um actor incontornável deste momento da fotografia portuguesa. Quem viu as suas imagens na época, não deixa de se sentir transportado até esses idos anos oitenta onde a irreverência estava de mão dada com a vontade de mudar, mesclada com alguma ingenuidade. Era uma época invadida de jovens fotógrafos, saídos de escolas como o AR.CO, que mudaram a forma de fazer fotografia de reportagem em Portugal.

Estas são imagens que marcam o trabalho de António Pedro Ferreira, diferentes das que hoje faz, distintas das suas reportagens, por exemplo, da guerra dos Balcâs, mas onde se mantém um traço comum – o facto de estar próximo das suas personagens, sem nunca ser um intruso. São imagens que nos traduzem uma realidade por vezes dura, vista nos olhares ou na atenção com que o soldador executa a sua tarefa, na vida comprometida das empregadas da limpeza, que partiram deste país rumo a Paris na esperança de uma vida melhor, nos momentos marcantes como o casamento ou íntimos, como a criança que lê ignorando o mundo televisivo que lhe está perto. São imagens que vale a pena ver, para recordar, para ver boa fotografia.

2 comentários:

  1. Gostei imenso desta exposição, especialmente aquilo que me pareceu ser fulcral em totas as fotografias: a presença e a importâncias das MÃOS das personagens e em cada momento.São mãos rudes, que trabalham, que mimam, que brincam, que prolongam a própria acção do corpo, e que desaparecem quando entram num carro para revisitar o País de origem. Esta foi a leitura que fiz desta visita e tal como já disse, gostei muito.

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  2. Olá.
    Gostava de o convidar para participar na Colectiva da Primavera, organizada por José Carlos Marques e pel’A Filantrópica – Cooperativa de Cultura CRL.
    Os lucros da mostra revertem este ano para a Casa do Regaço – instituição de solideriedade social.

    Mais informações em http://www.afilantropica.com/index.php?option=com_content&view=article&id=42&Itemid=49

    Obrigado

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